A MARCHA DA FAMÍLIA COM DEUS PELA LIBERDADE
Por Márcio Luís Chila Freyesleben
De há muito, a esquerda empenha-se em impingir ao povo a tese de que lutara contra o Governo Militar em defesa da democracia. Trata-se do mais desavergonhado embuste. A bem da verdade, convém reavivar a memória nacional, relembrando um dos fatos mais notáveis da nossa história recente: a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”.
Era início de 1964. Os comunistas estavam instalados na administração pública federal, Luís Carlos Prestes retornava de Moscou com o sinal verde para a deflagração da guerra civil no campo e o Presidente João Goulart, além de apoiar abertamente a rebelião esquerdista nas Forças Armadas, anunciava as “reformas de base” no comício da Praça da Central do Brasil, Rio de Janeiro. Pairava sobre a nação a certeza de que a esquerda desfecharia o golpe que colocaria no poder a ditadura do proletariado. Em contrapartida, a direita, liderada por Ademar de Barros, em São Paulo, e por Carlos Lacerda, na Guanabara, mantinha um contingente de aproximadamente 30 mil homens, disposta a enfrentar a ameaça comunista.
Em meio às inquietações daquele fatídico ano, emergia a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, movimento cívico-patriótico nascido da necessidade de conscientizar a população brasileira da crescente vaga comunista que afligia o país. Em 19 de março, meio milhão de brasileiros de todos os recantos, homens e mulheres de todos os credos e de todas as raças, dispostos a defender a Constituição e os princípios da democracia, formaram uma torrente humana que seguia da Praça da República à Praça da Sé, passando pela Rua Barão de Itapetininga, Praça Ramos de Azevedo, Viaduto do Chá, Praça do Patriarca e Rua Direita, para finalmente aglomerar-se ao pé das escadarias da Catedral Metropolitana. Bandas de música, bandeiras de todos os Estados da Federação, centenas de cartazes, compuseram o cenário da maior manifestação popular vista até então em São Paulo. Ali, rogaram, pediram a Deus e aos homens de boa vontade pelo destino da Nação. Muitos foram os que discursara
m. O Senador Padre Calazans, do alto das escadarias da Catedral da Sé, definia o verdadeiro propósito da Marcha: "Hoje é o dia de São José, padroeiro da família, o nosso padroeiro. Fidel Castro é o padroeiro de Brizola. É o padroeiro de Jango. É o padroeiro dos comunistas. Nós somos o povo. Não somos do comício da Guanabara, estipendiado pela corrupção. Aqui estão mais de 500 mil pessoas para dizer ao presidente da Republica que o Brasil quer a democracia, e não o tiranismo vermelho. Vivemos a hora altamente ecumênica da Constituição. E aqui está a resposta ao plebiscito da Guanabara: Não! Não! Não!".
João Goulart fizera sua derradeira escolha: trocara o mandato presidencial pela liderança revolucionária comunista.
Na noite de 31 de março para 1º de abril, os militares tomaram as ruas. Era a Revolução Redentora, a Contrarrevolução que colocava cobro aos desígnios malevolentes da esquerda. Nossos comunistas, tão ciosos em propalar um pretensioso respaldo militar, puseram-se em fuga feito ratos acovardados buscando asilo em embaixadas. O general Humberto de Alencar Castello Branco assumiu o comando da nação, dando início a um governo digno, preparando as bases do “milagre econômico” e anunciando o desejo de restabelecer prontamente o processo eleitoral no país.
É verdade que, motivado pelo terrorismo da esquerda clandestina, deu-se o ulterior recrudescimento do regime, marcado pela edição do AI-5. Qualquer governo de exceção é passível de censura, mas qualquer crítica que se possa fazer ao Governo Militar jamais poderá implicar em elogio às motivações de nossos famigerados comunistas. Como bem afirma o Filósofo Olavo de Carvalho, “é ridículo supor que, na época, a alternativa ao golpe militar fosse a normalidade democrática. Essa alternativa simplesmente na existia: a revolução destinada a implantar aqui um regime de tipo fidelista com apoio do governo soviético e da Conferência Tricontinental de Havana já ia bem adiantada. Longe de se caracterizar pela crueldade repressiva, a resposta militar brasileira, seja em comparação com os demais golpes de direita na América Latina seja com a repressão cubana, se destacou pela brandura de sua conduta e por sua habilidade de contornar com o mínimo de violência uma das situações
mais explosivas já verificadas na história deste continente” (“A História Oficial de 1964”, sítio www.olavodecarvalho.org).
Em 2 de abril, a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, agora denominada “Marcha da Vitória”, levou às ruas do Rio de Janeiro um milhão de patriotas.
Márcio Luís Chila Freyesleben – Procurador de Justiça – Ministério Público – Minas Gerais